terça-feira, 11 de agosto de 2015

Bebedeira no Carnaval

Prova fotográfica de que bêbado só fala a verdade.
Carnaval, a festa da carne. Se a gente parar pra pensar, essa porra não deveria acontecer em fevereiro aqui no Brasil. Já que a festa é móvel, devíamos poder mover mais para o meio do ano. Sabe por quê?


Bom, todo mundo deve saber que o Carnaval foi estabelecido pela Igreja de Roma como um preparatório para a Quaresma, que se encerra na Semana Santa. Portanto, a data de uma festa influencia na outra, e tem a ver com luas, e por isso é móvel. Foda-se, não é este o ponto.

O ponto é que saporra toda foi inventada pela Igreja de Roma. E onde fica Roma? Na Itália. E onde fica a Itália? No Hemisfério Norte. E os meses de fevereiro-março no Hemisfério Norte correspondem a que estação? Finalzinho do inverno e primavera.

Foi uma festa pensada para aquela situação geográfica. Ninguém estava pensando no Brasil (claro, o BR só seria descoberto 400 anos depois!). Mesmo assim, os gentis missionários portugueses que impuseram o Cristianismo aos nossos índios trouxeram a reboque esta festa.

Só que o Carnaval, aqui no BR, cai no verão mais causticante, ou, na melhor hipótese, no finalzinho do verão. Sem exagero, aqui no Hell de Janeiro o Carnaval ferve. Um dia com 35º no Carnaval é um dia fresco, porque o comum é ficar entre 37º e infinito.

Na Europa, os caras bebem para se alegrar e se esquentar no Carnaval. Aqui, nego bebe porque...porque...bem, porque é Carnaval, ora! É feriado, e até ateu apoia este feriado religioso!

Os efeitos causticantes do nosso calor carioca somados aos efeitos do álcool acabam por fazer o bebum dormir no sol e geram coisas deste tipo:



Mas o Carnaval e a bebida podem proporcionar coisas ainda MUITO PEORES, e é sobre uma delas que eu quero falar.

Uma vez, nos anos 90, eu fui viajar para a Região dos Lagos com uma galera. Todo mundo solteiro e com idade em torno dos 20 anos, ou seja: zoeyra geral. Uma certa ~manhã~ (manhã de Carnaval começa às 11, vc sabe), fui com um grupo para a praia após acordar. Nessa época, quase ninguém tinha celular, e a gente ia simplesmente andando até se encontrar com a galera.

De repente, a parte da galera que estava comigo se encontra com outra parte da galera. Eles tinham derrubado umas garrafas e acabaram dormindo na areia da praia até quase meio-dia!

Mas os caras estavam acordados, e rolando na areia. Rolando de rir! Parecia que tinham misturado algo mais na bebida, porque não paravam de rir, e a gente queria saber o que aconteceu, mas ninguém conseguia falar, só gargalhar.

De repente um deles começa a falar em loop: "O Luiz Cláudio....hahahahahahaha"..."O Luiz Cláudio....hahahahahahaha""O Luiz Cláudio....hahahahahahaha""O Luiz Cláudio....hahahahahahaha""O Luiz Cláudio....hahahahahahaha"...

A essa altura, já tava todo mundo rindo, mesmo sem saber o que aconteceu com o Luiz Cláudio. Falando nisso, cadê ele? Todos apontaram o dedo para o mar. E gargalhavam cada vez mais alto.

Aí a gente se entreolhou e pensou: "porra, o Luiz Cláudio tá na água, nesse estado etílico"?

Finalmente alguém conseguiu balbuciar a história entre uma gargalhada e outra: eles estavam todos dormindo na areia, quando chegou um cachorro. O cachorro cheirou um, que acordou e o espantou. Cheirou outro, que acordou e o espantou. Cheirou o Luiz. Ele continuou dormindo. Cheirou e lambeu. Nada.

Por fim, decidido a acordar nosso amigo, o cachorro levantou a perna e mijou na cara dele, que já levantou PUTO querendo chutar o bicho e xingando meio mundo, e, quando chegamos, estava lavando a cara no mar.

Dali a pouco chega ele, com a cara fechada, ainda doidão. Sofreu muito bullying pelo resto do Carnaval. E da vida, com certeza!

E vocês? Têm alguma história carnavalesca para contar?


MRJ