terça-feira, 25 de agosto de 2015

Governantes trolls - Conde de Bobadela

Olha a pinta do malandro!
Todo bom carioca conhece a Rua Gomes Freire, no Centro da cidade. Talvez a sua cidade também tenha uma rua, escola, praça ou espaço público com o nome deste homem, já que ele também chegou a exercer governos em MG, GO, MT e SP, além da Região Sul. O que você quase certamente não sabe é que ele foi um governante troll do Brasil-Colônia.


Gomes Freire de Andrade, também conhecido como Conde de Bobadela era um nobre militar e administrador português, que foi governador e capitão-geral do Rio de Janeiro por 30 anos (entre 1733 e 1763).

No Rio, em 1757, o Conde teve que usar a criatividade para solucionar uma situação. E aproveitou para trollar os franceses.

Na última semana de agosto daquele ano, chega ao Rio uma esquadra francesa, que pede permissão para aportar e reabastecer, por se encontrar em situação crítica. Havia um surto de escorbuto a bordo, e o Rio seria um lugar excelente para tratar os marinheiros debilitados, e repor com fartura as frutas cítricas e outros alimentos necessários para a continuidade da jornada, que já durava cerca de 6 meses.

Poucas semanas depois, os homens estavam recuperados e os víveres devidamente abastecidos. Agradecido, o comandante De La Flaute dá uma festa a bordo em homenagem ao Governador. Mas havia um problema: a etiqueta da época exigia que o Governador desse uma festa em retribuição. E assim se fez. Gomes Freire - Conde de Bobadela - determinou certa data e hora para a festa, que seria realizada na Casa dos Governadores (atual Paço Imperial, na Praça XV).

Um  dos convidados franceses era membro do clero, o abade La Caille, e as anotações de seu diário dão conta de um jantar maravilhoso que seria seguido de um baile. Imaginem a expectativa dos marujos franceses! Um baile! Que oportunidade excepcional para dançar com belas e cheirosas damas após longos 6 meses no mar!

Quanto maior a expectativa, maior a decepção. Quando o salão de baile se abriu, não havia nenhuma dama. Em seu lugar, havia meia dúzia de soldados portugueses usando lindos vestidos e farta maquiagem. Eram os mesmos soldados que ~consolavam~ a tropa portuguesa nas noites frias da caserna.

O capitão, meio puto, procura o Conde de Bobadela, inquirindo o Governador sobre o que seria aquilo. O conde, autor da trollada, na maior cara cínica, diz que não encontrou nenhuma família local que consentisse em permitir que esposa ou filha comparecesse ao evento, e, então...ele resolveu improvisar.

Reza a lenda que este foi o primeiro baile gay em terras cariocas. Quando aos franceses, aderiram ao velho ditado: em tempo de guerra, urubu é frango!

MRJ

Fonte: livro A história do Brasil são outros 500, do jornalista Cláudio Vieira.