quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Governantes trolls - Nikita Krushchev

Esse era troll
No último domingo, assisti dois documentários muito interessantes sobre o Muro de Berlim. Eu, que nasci e cresci em plena época de Guerra Fria, e que na escola estudava sobre duas Alemanhas (que, aliás, sempre mandavam bem em Copas do Mundo e Olimpíadas). O que eu não sabia - ou não lembrava - é que o tal muro havia sido erguido por ordem do líder russo Nikita Krushchev, um troll muito mais poderoso do que os nossos.


No final da Segunda Guerra, os Aliados dividiram a Alemanha, derrotada, em dois países: a Alamenha Ocidental, que era dividida em três zonas de influência: francesa, inglesa e americana e a Alemanha Oriental, sob tutela da URSS.

Mas não bastava dividir o país. Berlim, capital do país derrotado, por ser o centro do poder nazista, era a joia da coroa, onde poderiam ser encontrados importantes espólios de guerra, como planos secretos, protótipos de armas, dinheiro e bens de valor escondidos pelos nazistas, enfim, qualquer coisa.

Todo mundo queria ser o dono de Berlim, e, no fim, foi definido que a cidade também seria dividida em 4 zonas de influência, uma francesa, uma inglesa, uma americana e outra soviética. Só tinha um problema: a cidade inteira de Berlim estava dentro da Alemanha Oriental, ou seja, dentro da zona soviética.

Esquizofrenia é pouco para definir o que era a cidade de Berlim no pós-guerra. Obviamente, as faixas da cidade dominadas pelo Ocidente gozavam de liberdade, mas, na seção onde o domínio pertencia aos soviéticos, o clima era outro. Era uma cidade cinza, escura, sem viço e cujos moradores viviam sob o domínio da desconfiança e do medo, sob a mão de ferro do Comunismo.

Até 1961, a circulação dentro de toda a cidade de Berlim era livre, sendo necessário tão-somente que os habitantes de uma zona, ao chegarem a outra, exibissem sua documentação, sem maiores burocracias. Neste ano, porém, Krushchev, chefão do Partido Comunista da URSS e líder do mundo comunista resolveu que a vida estava muito tranquila, e decidiu partir para a treta.

Dizem os historiadores que ele considerava Kennedy, o presidente dos EUA, um playboy mimado que só havia chegado à presidência porque seu pai era rico e havia lhe "comprado" o cargo. Ademais, também não o considerava grande coisa, porque Kennedy era mais novo que seu próprio filho. Assim, ele resolveu engrossar o caldo para ver o que o americano faria.

Krushchev e Kennedy - essa treta era só o começo
Diz a lenda que Nikita costumava dizer nas reuniões do Partido que "Berlim é onde estão os testículos do Ocidente. Se quisermos provocar dor, basta apertar". Não, eu não inventei isso.

Assim, ele coordenou, junto com Ulbricht, o gestor soviético na Alemanha Oriental, a construção de uma enorme cerca, que circundaria toda a cidade de Berlim. Mas a Berlim Ocidental. Isso mesmo: como a parte livre da cidade estava, no fim das contas, enxertada dentro da Alemanha Oriental, muita gente que vivia na parte Oriental da cidade ou até mesmo de outras cidades alemãs simplesmente entrava na democrática Berlim Ocidental e pedia refúgio. Calcula-se que antes da construção do muro até 20% da população de Berlim Oriental tenha fugido para Berlim Ocidental.

Em apenas uma noite (13/08/61)os soldados alemães Orientais, secundados por uma milícia de trabalhadores das fábricas, munidos de metralhadoras, ergueram postes de madeira e cercaram toda a porção Ocidental da cidade com arame farpado, no que foi a gênese do muro. E fecharam a fronteira.


A partir daí, os cidadãos da parte oriental da cidade não poderiam acessar a ocidental e vice-versa, pouco importando se, no processo, pessoas perdessem o emprego, famílias fossem separadas, tratamentos médicos fossem interrompidos ou qualquer outra coisa.

E assim foi, durante longos 28 anos. Pais morreram sem nunca mais ver seus filhos. Maridos foram separados de suas esposas e filhos, e alguns tiveram que bolar planos mirabolantes para poder reunir-se a eles. Houve quem escapasse usando túneis do metrô, houve quem costurasse um balão de ar quente para escapar. Mas também houve dezenas de casos de pessoas desesperadas que, em tentativas frustradas, foram alvejadas e mortas pelos soldados do lado soviético tentando cruzar a fronteira.

Krushchev foi um governante troll, no pior sentido da palavra, e sua trollagem contra Kennedy e o Ocidente não acabaria por aqui. Ele ainda daria ocasião à quase detonação da guerra nuclear, com a chamada Crise dos Mísseis, novamente contra os EUA, em 1963. Para não alongar muito (mais) o post, esta história você pode ler aqui.

Nikita e Fidel: "vamos explodir o mundo, Comandante?"
Amanhã vou contar uma trollada (trollada do bem!) do nosso Imperador D. Pedro II.

MRJ