segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Rio: o que foi, o que era para ser e o que (não) é

Isto é o que as agências de turismo vendem
Isso é o que a imprensa vende
Hell Rio de Janeiro, Cidade Maravilhosa, já cantada em verso e prosa (Poeteiro mode on?). "Rio 40º/cidade maravilha/purgatório da beleza e do caos" ou Cidade Maravilhosa/Cheia de encantos 1000"? Afinal, quem é esse tal Rio de Janeiro?

A resposta é complexa demais, por se tratar de uma metrópole nacional com mais de 6 milhões de habitantes, número que dobra se computada a Região Metropolitana  (maldita conurbação!).

É fato que toda cidade grande padece de grandes problemas, e estes não têm soluções fáceis nem rápidas. São Paulo, por exemplo, neste momento está envolvida numa celeuma incômoda em torno da diminuição miserável da velocidade máxima em suas grandes avenidas.

Por mais que não tenha a ver diretamente conosco, nós, aqui no RJ, acompanhamos essa polêmica com uma pontada de receio, porque a gente gosta de pisar no acelerador. Vai que a moda pega! O consolo que fica é que a "moda" do rodízio de carros de SP nunca foi sequer cogitado por aqui. Oremos.

Mas metrópolis como Rio e São Paulo, infelizmente, não comportam problemas atinentes somente ao trânsito. A violência é assunto corrente, e a imprensa parece que tomou gosto por explicitá-la vorazmente. Programas e apresentadores "populares" cada vez mais ganham espaço na TV aberta para expor o pior de nós aos brados, todos os dias. Exceção feita - até aqui - à TV Globo.

Você deve - ou pelo menos deveria - saber que o Rio de Janeiro foi capital do nosso glorioso país. Aliás, foi bem mais que isso. Segundo a Wikipedia, o Rio foi,

"(...)sucessivamente, capital do Estado do Brasil (1621-1815), uma colônia do Império Português, desde 1763 até 1815, depois do Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves (1815-1822), do Império do Brasil (1822-1889) e da República dos Estados Unidos do Brasil (1889-1968) até 1960, quando a sede do governo foi transferida para a recém construída Brasília".
Ainda sou de uma época em que todo carioca era orgulhoso por ser carioca e, que me desculpem os que discordam, com um currículo desses, minha cidade é digna do meu orgulho, sim.

Palácio Monroe: demolido quando eu tinha 2 anos. Não vi. =/
O Rio é considerado a única capital imperial das Américas pelos historiadores, posição de que discordo, se levarmos em conta os impérios pré-colombianos. O fato de nosso império ter seguido os moldes europeus não o faz "mais império" do que aqueles de Maias, Incas e Astecas. Mas esta é a minha visão, particular e minoritária.

Ler livros sobre a História do Brasil, desde os livros-texto escolares até os mais pop, como os do Laurentino Gomes e os do Eduardo Bueno é, essencialmente, ler sobre o Rio de Janeiro, e isso faz muito sentido, já que a atual Capital Federal só tem 55 anos de História, contra 450 da capital Fluminense.

Tenho primos que nasceram e se criaram em São Paulo, e hoje moram no Rio. Me lembro da época em que eles vinham passar férias aqui, e minha prima ficava maravilhada ao andar pelo Centro, não porque o Centro de São Paulo seja pior ou menos iteressante, mas porque o imaginário dela já estava trabalhado pelos livros que lia. Então, de repente, ela se via na Rua 1º de Março, em frente ao Paço Imperial, e viajava na lembrança dos livros de Machado de Assis, que tanto referia ruas do Centro, como a Rua da Quitanda, a Rua do Ouvidor e a própria 1º de Março (que, na época, era Rua Direita).

A História está ao nosso lado, e eu, como sou fissurado em História, viajo com muita frequência ao andar por aqui. Viajo olhando para o Forte São João, na Urca, e imaginando que loucura era a época em que dali saía uma grossa corrente que atravessava a boca de entrada da Baía de Guanabara até o outro lado, na Fortaleza de Santa Cruz, já em Niterói!

Tenho arrepios olhando para a Baía, a partir do Centro (geralmente lembro disso quando estou no Santos Dumont) e imaginando que bem ali houve duas Revoltas da Armada (respectivamente nos governos Deodoro e Floriano), quando navios da nossa Marinha ameaçaram moer a Capital na base dos tiros de canhão!

Viajo ao passar em frente à Central do Brasil, imaginando que ali naquela região se deu toda a conspiração que redundou na proclamação da República. Ainda hoje se pode visitar a Casa do Marechal Deodoro, que morava bem ali em frente à Praça da República (nome ao qual nós, cariocas, nunca aderimos, e continuamos chamando até hoje pelo mesmo nome da época do Império: Campo de Sant'anna). Deal with that.

Ainda no Santos Dumont, viajo aos primórdios da colonização do Brasil, porque o complexo SDU é formado pelo aterro de diversas ilhotas, e, contígua à pista do aeroporto, encontra-se uma ilha, onde hoje está instalada a Escola Naval. Trata-se da Ilha de Villegangon, que foi temporariamente ocupada por franceses e onde parece ter havido carece de fontes o primeiro embate entre católicos e protestantes no Novo Mundo.

Viajo ao chegar na Esplanada do Castelo e imaginar como era aquele lugar no tempo em que ali havia um morro, destruído para aplainar espaço suficiente para a exposição do Centenário da Independência.

Aliás, falando em grandes eventos internacionais, sempre tenho uma pontada de saudade de uma época que não vivi quanto passo pela Cinelândia e olho para a Praça Mahatma Ghandi. Ali, entre 1906 e 1976, havia um prédio público fantástico: o Palácio Monroe. Siga o link e leia o artigo da Wikipedia. Vale a pena. E o artigo explica o porquê de eu estar falando em "grandes eventos internacionais". ;)

Como meu tempo para blogar é escasso e meu interesse nesse assunto é amplo, provavelmente voltarei em algumas outras ocasiões a este tema. Por hoje, acabei falando do Rio que foi, e, como adoro História, você certamente ainda lerá mais sobre isso, mas também falarei sobre o que era para ser e o que (não) é.

Depois de pensar em tudo o que foi, deixa eu ir chorar num cantinho ali, e já volto. ='(

MRJ


P.S.: Sei que vai ter gente zoando, mas só queria dizer para vocês que dá para escrever toda uma série abordando o mesmo tema: "Brasil: o que foi, o que era para ser e o que (não) é". Só para citar um exemplo, Brasília, a capital planejada, já dá sinais graves de deterioração em menos de 60 anos.