terça-feira, 8 de setembro de 2015

No meu tempo não era assim!


Prezada geração leite com pera atual: é a vocês que eu me dirijo hoje. Todos vocês que estão na adolescência e até alguns um pouco mais velhos devem estar cansados de ouvir seus pais e avós encherem o saco dizendo que a música que você ouve é uma merda, e que no nosso tempo (eu tenho mais de 40, posso falar) é que a música era boa. Vamos ver se é mesmo assim?

Antes de mais nada, se você ouve fanque*, sertanojo ou é pagodeiro, este artigo não é pra você. Aliás, este blog não é para você. Fora daqui, agora!

Digamos que você é uma pessoa normal, que ouve músicas normais, em condições normais de temperatura e pressão. Aí vem SuaMãe™(sério que eu usei esse termo aqui?) e te enche o saco: "no meu tempo é que a música era boa! Que coisa melodiosa, romântica, bonita" e o já tradicional mimimi de todo pai/mãe/avós.

Então, voltemos aos anos 80. Vamos ver que espécie de letras lindas e melodiosas marcaram a minha época de adolescência e a dos pais de alguns que frequentam o blog:

VESTIDOS DE ESPAÇO - POPÔ PIPI


Esta já é do final da década, de 1988, e não se engane: sua santa mãezinha curtiu. E muito. Maldita Rádio Cidade, que tocava essa porra toda hora. Letra poética e som melodioso padrão FIFA!

LUIZ CALDAS - FRICOTE
 

Você, jovem micareteiro, que se liga em música baiana, sabia que o Axé foi criado nos anos 80? Pois é. Mais precisamente em 1985, quando Luiz Caldas lançou a música "Fricote" no Fantástico (PQP, eu me lembro!). O ritmo é a mesma merda coisa até hoje, e a letra, falando de uma "nega do cabelo duro que não gosta de pentear" é impensável para os dias de hoje. Por outro lado, sua ~rima~ de violeta com boc...hecha abriu as portas para toda sorte de merda que se seguiu, como a dança da boquinha da garrafa, etc.

GRUPO ROMA - EU E BETE


Outra do final da década. Caceta, o que era isso?

GRUPO MAGAZINE


O Magazine é um daqueles casos que deveriam ser considerados hors-concours, porque é foda escolher uma cagada só. Postei esta acima porque a Globo resolveu nos torturar por meses a fio colocando-a como música tema da novela "A Gata Comeu", mas não deixe de ver Sou Boy e Tic-Tic Nervoso. E imagine seus genitores se divertindo ao som destas pérolas.

ABSYNTHO - URSINHO BLAU-BLAU


Infelizmente, você já deve ter ouvido falar de um sujeito conhecido até hoje como Sylvinho Blau-blau, já que ele está agora fazendo até comercial de TV. Este infeliz era o vocalista do tal grupo.

FAUSTO FAWCET E OS ROBÔS EFÊMEROS - KÁTIA FLÁVIA


Tá eu assumo: eu gostava dessa, mas eu tenho a meu favor o fato de que eu era apenas um adolescente! Mas olhando agora friamente eu penso: que merda é essa? Para nosso alívio, eu nunca ouvi Facada Leite-Moça no rádio. Para meu azar, cheguei a ouvir numa fita K7. Agora você entende em parte por que eu fiquei assim. =/

Agora vamos falar só das músicas sobre assuntos inocentes? Que tal falar, de maneira descolada, sobre gravidez? Podia, nos anos 80? Podia!

ESPÍRITO DA COISA - LIGEIRAMENTE GRÁVIDA


E oferecer serviços de michê no rádio e na televisão, podia nos anos 80? Tranquilamente, jovem!

ERVA DOCE - AMANTE PROFISSIONAL


Nos anos 80 foi feito o último dos chamados "Festivais da Canção". Na verdade, foi uma tentativa de revival, mas não rolou, felizmente. Foi o chamado "Festival dos Festivais", e, para nossa tristeza, a grande campeã foi essa merda aqui(spoiler: se não conhecer, ouça baixo ou tenha seus tímpanos perfurados):

TETÊ ESPÍNDOLA - ESCRITO NAS ESTRELAS


E as românticas? Ah, as românticas...kkkkkkkk É rir pra não chorar.

ROSANA - NEM UM TOQUE

Você provavelmente conhece outro mais que clássico dela: O Amor e o Poder, né?

JOSÉ AUGUSTO - AGUENTA CORAÇÃO


Não havia internet, jovem. A gente ouvia o que passava na TV e no rádio, infelizmente. Fora um ou outro amigo mais ryco que viajava para o exterior e trazia uns discos de coisas que não tinha por aqui (e os famosos piratões, que sempre existiram), a gente era um público consumidor do que as escrotas das gravadoras nos impunham. Dê graças a Deus pelo seu Spotify! Mesmo que você seja ateu, vai por mim!

Então, todo domingo tinha Show de Calouros, onde éramos, semana após semana, apresentados a nulidades completas, tipo Sidney Magal, Gretchen, Biafra e - PQPQPQPQPQPQPQPQPQPQPQP....- Grupo Gengis Khan.


Sempre confundi Biafra com outra merda: Gilliard, aquele que cantava a chamada Melô do Maluco (aquela nuvem que passa lá em cima sou eu...), o Biafra só é culpado pela intragável "Sonho de Ícaro" (voar, voar/subir, subir...). Felizmente, o universo um dia conspirou para puni-lo, com direito a filmagem:


Então, já sabe: salve este post nos seus favoritos para mostrar ao próximo que vier com conflito de gerações reclamar das suas músicas! ;)

MRJ

*fanque: neologismo criado pelo amigo +Eric Mac Fadden  para referir-se ao lixo rítmico (só rítmico, porque definitivamente não é musical) que assola minha vizinhança carioca e vem se espalhando por toda a nação. Aderi ao termo porque concordo com o Eric que chamar essa merda de Funk seria desrespeitoso demais com James Brown e Cia.