segunda-feira, 21 de setembro de 2015

Queen - tem, mas acabou

Queen em 1980, com formação completa de cima para baixo e da esquerda para a direita: Roger Taylor, Brian May, Freddie Mercury e John Deacon
Na última sexta-feira havia um certo frenesi em torno da inauguração do Rock in Rio 2015, e a grande atração da noite era o tão aguardado retorno do Queen, após 30 anos da primeira edição. Mas, como diria Lulu Santos, nada do que foi será de novo do jeito que já foi um dia.

Como você provavelmente sabe - a menos que seja um extraterrestre e tenha acabado de descer na Terra (ou seja acreano) -, o vocalista da banda, Freddie Mercury, morreu de AIDS em 1991, nos deixando órfãos de um dos artistas mais performáticos da cena rock mundial. Rock, não: ópera-rock.

Não sei se o Queen foi a única rock band a incorporar uma pegada de ópera em suas canções, ou se foi só a mais famosa, mas uma coisa dá pra perceber, com certeza: era bom demais.

E eu credito isso ao Freddie Mercury. Era visível sua emoção e energia no palco. Quem assiste, ainda hoje, vídeos de qualquer show do Queen, vê que o vocalista se entrega, grita, berra, faz jogo de corpo, enfim, ele transparece emoção o tempo todo. Freddie parecia vestir a música, mais do que apenas com sua voz, mas com sua própria presença de palco.

E eis que baixei (aqui) o show do Queen, com Adam Lambert, realizado na útima sexta, em 720p, e o assisti ontem, apenas para ficar com o sentimento agridoce de estar tentando curtir algo muito bom, porém muito irritado. Sim, amigos, fiquei MUITO irritado vendo a tal apresentação.

Não é a primeira vez que Roger Taylor e Brian May (respectivamente, o baterista e o guitarrista originais do Queen) usam a fórmula "Queen + alguém". Aconteceu com Paul Rodgers também, e durou 5 anos (2004-2009).

Dessa vez, o escolhido para ser o plus foi Adam Lambert, segundo colocado no American Idol de 2009 e que chegou a lançar alguns álbuns solo, mas confesso que nunca havia sequer ouvido falar dele.

Side Show Bob idoso, George Michael e Papai Noel?
Vi a apresentação. Gostei de uma ou duas músicas e me irritei muito com as outras. O porquê não estava claro. Só mais tarde, depois de acabar o show, é que percebi o que estava acontecendo. Vamos ao que me irritou:

1. Voz tremida. Rock & Roll não é sertanojo para ter "tremidinhas" na voz, e o Adam abusa disso.

2. Falta de emoção. O cara parece uma Barbie, boneca plástica e sem vida.

3. Excesso de viadagem.

Cada um desses itens sozinho já me irritaria um pouco, mas o somatório me fez ter asco, porque os itens 1 e 3, por exemplo, se complementam e formam uma escrotidão maior. 

Ok, o Queen teve um homossexual nos vocais, isso todo mundo sabe. Freddie era viado, mas ele era um viado artista, enquanto Adam parece que é viado e só. O cara não tem uma atitude Rock & Roll, e eu descobri o porquê vendo os clipes dele no YouTube: ele escolheu seguir a carreira de cantor de músicas dance (bate-estaca), daquele tipo que o público gay adora.

Daí a tremidinha na voz: principalmente nas notas altas e longas, ele dá essa tremidinha, que nos faz lembrar Beyoncé, Mariah Carey ou Whitney Houston. O cara quer ser diva, mas está à frente dos vocais de uma das maiores bandas de Rock do mundo! 

Foi isso que me irritou. Quer ser diva, filho, vai brincar de Beyoncé em outro lugar! No Queen, não! Será que o Brian May não vê isso? Money talks, pelo jeito. Separei um trecho de um "momento Beyoncé" aqui para vocês verem do que estou falando. CA-RÁ-LE-OU! Isso agora é Rock & Roll????

Além dos tremiliques na voz, a performance do cara é toda de uma diva. Sapato de salto alto, mil trejeitos (com direito a uma viadagem >8000 num sofá em pleno palco)...pra quê?

Freddie Mercury também era homossexual, mas eu digo a vocês: o Freddie vestido de mulher no clipe "I Want to Break Free" é muito mais macho que o Adam Lambert!

Isso, sim, era um viado de respeito! Viado, sim. Diva, não!
E ainda tem a coisa da expressão. Freddie era um artista performático, e essa Barbie não transparece a menor emoção. Basta assistir à sua apresentação de "Who wants to live forever" para perceber. Freddie me levava às lágrimas

É o homem de lata sem coração. Mas talvez o pior de tudo tenha sido a parte final do show, porque a lagarta resolveu aproveitar o nome do grupo e virar borboleta de vez, usando uma coroa. Só faltou declarar de vez: "It is not Queen+Adam Lambert. It is Adam Lambert, The Queen"! Aloka!

Perdeu, Elisabeth: I am the queen!
Enfim, musicalmente foi bom. Guitarra, baixo, bateria, percussão, tudo funcionou 100%, mas os vocais realmente foram uma decepção. O menino é afeminado afinado, canta bem e tal, mas...não é Rock & Roll. Uma lástima.

Assistir um Queen pop foi uma das piores coisas que poderia ter acontecido para macular a imagem que tínhamos de 1985. O que se salvou, para mim, foi "under pressure", muito bem executada por ele, e "Crazy little thing called love", que já era uma viadagem, mesmo. =P

Só esperamos que não escolham Conchita Wurst para substituí-lo se ele resolver sair.

MRJ