quarta-feira, 14 de outubro de 2015

O Separatismo Catalão e a Situação Político-Social na Espanha




É com imenso e prazer (de coração) que estou aqui novamente redigindo um artigo no Meditabundamente. Para quem não me conhece, meu nome é Jeorgelis, sou leitor do blog e esse é meu terceiro artigo publicado aqui.

A Catalunha é uma comunidade autônoma da Espanha que possui autonomia legislativa e competências executivas. A grosso modo seria um estado com maior autonomia.

Poucas pessoas (no Brasil) sabem, mas a Catalunha já foi independente, até o ano de 1714, quando as tropas do então futuro rei Filipe V derrotaram o exército catalão, anexando a região à Espanha na conhecida Guerra da Sucessão. É justamente por causa desse evento que em todos os jogos realizados no Camp Nou, estádio do FC Barcelona, acontece manifestações pró-independência no minuto 17:14 (em referência a queda da Catalunha). 

Não confunda catalão com catador de latão
No último dia 27 de setembro, houve eleições do Parlamento da Catalunha. A coalizão Junts Pel Sí, do atual presidente da Catalunha (Artur Mas), juntamente com a coalizão Candidatura d’Unitat Popular, ambas pró-independência, encerraram as eleições com o maior número de cadeiras no parlamento (72 no total de 135), mas não atingiram a maioria absoluta, levando a entender que a maioria do catalães preferem continuar anexados à Espanha. Mesmo assim Artur Mas, em declarações, afirma que o resultado é “uma vitória clara dos catalães separatistas” e dará continuidade ao processo de separatismo catalão. Diante de tanto impasse há pontos que devem ser levados em questão.

1. A Catalunha já foi independente. Talvez a maior frustação dos catalães seja saber que um dia já foram independentes e foram anexados à Espanha por vontade alheia, criando um sentimento de impotência.

2. Economia. Uma pergunta que sempre me vem à mente: a Catalunha é autossustentável? É certo que a Catalunha possui o maior PIB entre as 17 regiões autônomas da Espanha, maior até do que Portugal, mas isso não impediu que a região solicitasse recentemente um socorro financeiro ao Governo Espanhol de € 5 bilhões. Luís María Linde, responsável pelo Banco Central espanhol afirmou que há um risco de corralito caso a Catalunha se torne independente da Espanha, como aconteceu recentemente na Argentina e na Grécia. Corralito é um controle de capitais que impede que os correntistas possam dispor dos fundos que têm em suas contas bancárias. O próprio Conselho Assessor para a Transição Nacional, entidade instituída por Artur Mas para estudar os caminhos e as consequências da independência alertou em um relatório sobre o risco real de corralito.  

Neymar e o presidente do Barça: se separar, serão heróis nacionais por dar calote no fisco espanhol. Senão, vai dar cadeia, mesmo.
3. Língua oficial. Tem que ser levada em consideração. Quem já visitou a Catalunha sabe do que estou falando. Lá é mais falado o catalão do que o castelhano. Anúncios, placas de restaurantes e hotéis em catalão. Inclusive a Apple adicionou o catalão como um dos idiomas nos seus iProducts. Há até acusações de que a Espanha não assume a plurinacionalidade, lançando medidas que travam o desenvolvimento da língua catalã.

4. Constituição Espanhola. Assim como a Magna Carta Brasileira a Constituição Espanhola afirma que os estados são indissolúveis. Rege o artigo 2, parágrafo único da Constituição: "La Constitución se fundamenta en la indisoluble unidad de la Nación española, patria común e indivisible de todos los españoles, y reconoce y garantiza el derecho a la autonomía de las nacionalidades y regiones que la integran y la solidaridad entre todas ellas". Este é o maior argumento dos opositores a fragmentação da Espanha.

5. Futebol. Outro ponto questionável. Caso a independência aconteça o FC Barcelona, vencedor de 5 UEFA Champions League, ficaria de fora do Campeonato Espanhol de Futebol, consequentemente deixando de existir o maior clássico do mundo (FC Barcelona contra Real Madrid CF). Adendo: vaias ao hino espanhol foram entoadas na final da Copa Del Rey realizada no Camp Nou neste ano.

6. Dinheiro (sempre ele): há um sentimento quase unânime na Catalunha de que a região contribui muito e recebe poucos investimentos.

Toda essa treta por esse pedacinho xexelento de terra.
7. União Europeia. A independência da Catalunha significaria o desligamento automático da União Europeia e, consequentemente, da zona do Euro. O porta voz alemão Steffen Seibert e a chanceler alemã Angela Merkel se mostraram contra a soberania catalã. Em caso de independência, haveria a necessidade de solicitação de ingresso na União Europeia, colocando a Catalunha no “fim da fila”.

Para vocês prezados leitores, o que acham de tal pleito? Há semelhanças com o movimento “O Sul é meu País”?



Jeorgelis
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MRJ acrescenta: já entendi o porquê da Espanha se preocupar em ficar de curralito! E viva a Catalunha! \o/