segunda-feira, 26 de outubro de 2015

Vamos falar sério sobre: Honestidade


Você provavelmente se lembra da história desse vídeo (se quiser só dar uma relembrada rápida, pule para 7:20). Essa é a história do que aconteceu com o maratonista brasileiro Vanderlei Cordeiro de Lima nas Olimpíadas de Atenas, em 2004.


Depois de 1h40min de corrida, no 36º Km da maratona (que tem pouco mais de 42), foi agarrado por um palhaço (desculpe, só consigo pensar nessa palavra, me desculpe quem se preocupa com o fato de ele ser um padre irlandês) que o atrasou por 10'. Apenas 10 segundos.

Mas, numa prova de resistência como a maratona, esses 10' fazem uma diferença enorme. Para se ter uma ideia, Usain Bolt precisa desse tempo para percorrer 100m. 

Tá, estamos falando de fundistas, não de velocistas. Sei que são coisas absolutamente diferentes, mas os corredores de grandes distâncias têm que manter uma atitude mental firme por mais de 42Km (o que, para mim, que sou turista de academia, é algo inimaginável).

O resultado, todo mundo conhece. Uma vez quebrados o ritmo e a concentração do brasileiro, acabou que um italiano (que antes destava 25' atrás dele) o ultrapassou, assim como um americano, que antes estava em terceiro.

Por fim, Vanderlei ainda acabou ainda levando a medalha de bronze. Mas ficou aquele gosto amargo na boca dele e de muita gente ao redor do mundo que viu a injustiça perpetrada.

Mas e o italiano e o americano que acabaram passando pelo Vanderlei? Agiram corretamente? Ou prevaleceu a lógica do "cada um com seus problemas"? Você pode dizer que ainda havia 6Km de corrida pela frente, mas observe que, aos 8:44 do vídeo, a Glenda Gostowski Koslowski fala que o brasileiro foi ultrapassado aos 37Km, ou seja, apenas 1Km depois.

Além da questão do estado mental do Vanderlei agora estar alterado, alterando seu foco e concentração, todo mundo sabe que em qualquer corrida (seja a pé ou num carro de F-1), há que se trabalhar para tirar a diferença, que costuma ser ínfima.

A meu ver, os medalhistas de prata e bronze foram, sim, beneficiados pela sacanagem que o Vanderlei sofreu, e isso não tem nada a ver com discurso brasileiro de coitadismo - coisa que anda muito na moda.

Agora vamos ver a outra face da moeda. Veja esse vídeo, que é curtinho:


Se o Vanderlei entrou para a história do atletismo, se tornando, hoje, o maratonista mais conhecido do Brasil e um dos mais conhecidos do mundo, o caso de Ivan Anaya também chamou a atenção em nível mundial (e eu me pergunto por que raios só ouvi falar disso ontem, quase 3 anos depois!).

Achei que seria legal compartilhar com vocês e discutirmos a questão da honestidade - principalmente nesse momento por que está passando nossa política interna. Vejam uma entrevista do jovem e honesto atleta sobre o episódio:


Veja bem, estamos comparando uma coisa com a mesma coisa. Em ambos os casos, estamos falando de maratonas, a mesma prova, a mesma distância, a mesma canseira, o mesmo estado mental.

Anaya é um exemplo de fair play, sem dúvida. Mas o bom exemplo dele torna os dois maratonistas que ultrapassaram Vanderlei alguma espécie de canalhas? A zoeyra não tem limites, mas e a honestidade e o caráter? Eles têm limites?


MRJ