terça-feira, 20 de outubro de 2015

Zygmunt Bauman: Filosofia x internet


Para quem não conhece, o senhor idoso aí da foto se chama Zygmunt Bauman, filósofo polonês que tem uma infinidade de livros escritos, sendo que alguns dos mais recentes e conhecidos poderiam ser chamados de "série líquida": Modernidade Líquida, Amor Líquido, Vida Líquida

Há muito tempo Bauman se ocupa da questão da ética, e já em 1997 ele parece ter percebido que o grande problema da na nossa sociedade pós-moderna é a nossa maneira superficial de viver.

O assunto é muito longo e profundo, e não caberia aqui. Por isso, fico com o micro resumo da Wikipedia: "De acordo com Bauman, cada vez mais a sociedade em geral, tem menos contatos entre os indivíduos e que duram menos. Uma das suas frases, em Português se traduzem que 'as relações escorrem pelo vão dos dedos'. Devido às relações líquidas descritas por Bauman em livros como Amor Líquido, em que as relações amorosas deixam de ter aspecto de união e passam a ser mero acúmulo de experiências, ou em Medo Líquido, onde a insegurança é parte estrutural da constituição do sujeito pós-moderno, o autor é descrito frequentemente como pessimista, mas sua intenção é seguir a contracorrente: se há cientistas, poetas e artistas espalhando diversas virtudes do capitalismo, por que não expôr exatamente o contrário, sua face desumana?".

Na última quinta-feira, eu assisti a uma entrevista de Bauman no Observatório da Imprensa, em que ele expôs de forma absolutamente clara a face desumana do Capitalismo. Preparem-se para soltar um "PQP, isso é tão claro, como eu nunca percebi?":


"Surprise, Modafoca"! Foi exatamente assim que me senti ao ver esse pedaço da entrevista. Como é que eu não havia percebido isso? Que a onda do momento é namorar pelado demitir para manter a "liquidez" da relação entre os empregados, impedindo que as relações se solidifiquem a ponto de criar problemas para os patrões? Isso é coisa de Satanás!

Falando em Satanás, Bauman, na mesma entrevista, demonstrou conhecer bem e ter uma opinião sobre o Google:


Toda a nossa Filosofia Ocidental tem sua base em Sócrates, e sua frase mais conhecida: "Só sei que nada sei" (ou "sei uma coisa: que eu nada sei"). Este pensamento é o conhecido paradoxo socrático, e qualquer pessoa que já teve um mínimo contato com a Filosofia sabe recitá-lo. Mas não confunda esse paradoxo com o início da fala de Bauman no vídeo acima.

O que Bauman está dizendo não é simplesmente que "ele nada sabe". É muito mais profundo: é que alguém que nada sabe vai continuar sem saber de nada (John Snow feelings) se confiar no Google como fonte do conhecimento, e ele está certo. No resto da entrevista ele vai dizer que isso se dá porque o Google não nos dá conhecimento, mas apenas fragmentos de conhecimento, o que não nos permite conhecer o todo.

Coisa de filósofo, já que a gama de conhecimento existente no mundo é tão vasta que realmente não se pode conhecer "o todo", mas que faz muito sentido quando pensamos em estudantes que são useiros e vezeiros de CTRL+ C e CTRL + V, que são capazes de apresentar monografias sem ter a mínima ideia do conteúdo ali escrito.

Eu já admirava Bauman antes dessa entrevista (que, aliás, está disponível na íntegra neste link), e fui dar mais uma busca no Google [sorry, Bauman ='( ] sobre posições que ele pudesse ter sobre redes sociais. E Bauman, mais uma vez, não me decepcionou:


Hoje "Amor de Vó", que gosta de Filosofia, vai pirar. E vocês, galera, o que acham? Já conheciam Bauman? Concordam, discordam ou muito pelo contrário?

MRJ